Aprenda a dançar

Se a Dança é do Ventre porque não ensinam o ventre?

Antes de entrar em uma escola de dança do ventre imagina-se que as aulas serão voltadas quase que exclusivamente para o  aprendizado daquelas coisas mirabolantes que se faz com a barriga, (tecnicamente essas coisas são conhecidas como vibrações e ondulações abdominais isoladas).

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Acredita-se que ali vão ensinar técnicas de respiração e domínio corporal quase como  no Yoga e etc, mas não é bem assim que acontece.

Ao matricular-se em uma escola inicia-se pelo processo de conhecer os movimentos básicos do quadril mas não do abdômen , até aí tudo bem, afinal  estamos falando de iniciantes.

Mas acredite, diversos iniciantes  aguardam silenciosa e ansiosamente e ao mesmo tempo pacientemente  as tais “coisas com a barriga”, mas, o tempo vai passando  transformando-se em anos e nada!

Parece que a dança do ventre resume-se aos movimentos de quadris e o mais perto que se chega das “coisas com a barriga” é com o camelo e olhe lá, já que o camelo geralmente ensinado é aquele tradicional que a coluna meio que ondula junto e não o do abdômen isolado.

Com o passar dos anos a pessoa até esquece esse lance de “coisas com a barriga” e vai levando a dança com o que lhe oferecem, até  dança  lindamente um derbake, uma clássica e tudo mais só que sem  as “coisas com a barriga”.

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Esse é o tipo relato que tenho recebido, o que me faz perceber que essa é uma realidade didática de várias escolas brasileiras assim como é real a insatisfação no aprendizado quando as tais “coisas com a barriga” não existem.

Pensando nisso vou tentar responder por meio das minhas experiências pessoais algumas questões que chegaram até o Bellymaníacas juntamente com esses relatos sobre o motivo desse fenômeno acontecer em muitas escolas de DV. Vamos lá?

PRIMEIRA QUESTÃO— Se a Dança é do Ventre porque não ensinam o ventre? 

Há quem ensine e há quem não, na verdade tudo depende de didática para didática e de quais características da dança do ventre sua professora faz mais uso.

É muito comum em meio a tantos caminhos e possibilidades que essa arte oferece a dificuldade por meio de professores em estabelecer didáticas que não se desviem do  foco corpóreo de nossa dança que é o Ventre e ao mesmo tempo não desmotive os alunos devido a dificuldade técnica desses movimentos que podem levar muito tempo para acontecer.

Além do mais, grande maioria enxerga  como foco corpóreo da dança do ventre somente o quadril, coisa que não ocorre só nos dias atuais. Se você observar as bailarinas do passado da era Golden Age vai ver que isso também era comum, ou seja, os movimentos abdominais isolados não eram tão presentes.

Outro motivo pode estar no fato  de que sua professora ou professor também não saibam fazer estes isolamentos abdominais (poucos sabem) e foquem nos outros movimentos característicos da Dança do Ventre que também são difíceis de aprender mas que são mais fáceis de executar do que os complicados movimentos abdominais que exigem muito mais  treinos isolados e constantes .

Segunda Questão——> Foi por causa do Ballet que deixaram de dar enfase ao  Ventre?

Na minha opinião não! Mas isto pode ocorrer principalmente quando não se usa com sabedoria dos elementos técnicos do ballet e erram a mão no equilíbrio anulando quase que totalmente as características da Dança do Ventre.

Houve um tempo  em que a forte adição do  ballet como moldura postural na dança do ventre estava no auge,todos queriam aprender e as bailarinas mundo a fora focavam em incrementar as performances sob essa estrutura o que também dominava as didáticas nas salas de aula principalmente na modalidade clássica.

Nesse período realmente  o quadril e a barriga  ficaram um pouco de lado. Até do derbake o ballet estava tomando posse de grande parte dos movimentos, o que é quase inimaginável, não é mesmo?.

Mas isso na verdade, são fases que fazem parte de toda e qualquer evolução, e querendo você  ou não tudo nesse vida evolui principalmente a Dança do Ventre que recebe influencias de todos os lados.

Há quem diga que a essência da Dança do Ventre se perdeu em meio a evoluções e adições de técnicas de outras danças, eu acredito que não!

Meu pai sempre diz que as vezes temos que desconstruir algo para compreender melhor e assim reconstruí-lo trazendo o de volta  ainda melhor  que antes em essência e técnica.

Hoje a adoção do ballet básico e de outras vertentes como o Jazz no processo de ensino aprendizagem na arte belly dance, são pré requisitos  pra quem deseja aprender a aplicar os movimentos de dança do ventre com uma elegância postural ímpar e tecnicamente eficaz.

Muitos profissionais renomados na arte belly dance são unanimes ao dizer que a adoção do estudo de outras artes como ballet básico, yoga dentre outras possuem efeitos positivos no estudo da Dança do Ventre, uma vez que não só contribuíram positivamente como o avanço técnico da arte mas também com a flexibilidade, uso correto da respiração além de uma postura cênica bonita e elegante abrilhantando performances altamente evoluídas e auxiliando na percepção corporal e postural.

Terceira Questão—–> Sentindo Falta do Ventre na Dança do Ventre

O fato é que de uns tempos pra cá estamos sentindo falta de ventre , estamos querendo impactar plateias com as tais ” COISAS COM A BARRIGA”,  e todo mundo está atrás de aprender e compreender as técnicas para isolar o abdômen.

Hoje vejo as meninas do tribal e da dança do ventre tradicional   investindo pesado nos treinos para trazer para os palcos performances em altas doses de movimentos com o abdômen.

Bailarinos mundo a fora etão cada vez mais buscando enfatizar em suas danças o que o nome Dança do Ventre remete ao público acrescentando nas coreografias  repertórios técnicos com enfase no ventre.

Se a arte belly dance foi desconstruída certamente agora esta sendo remontada na atualidade de uma maneira ímpar por essa geração de bailarinos que anda exigindo mais características próprias da arte tanto no ensino quanto nas apresentações.

Então professores vamos botar pra aprender, estudar ensinar e acrescentar mais ventre nas aulas. Alunas vamos ser pacientes e dedicadas ao processo já que aprender isolar o abdomen exige muito treino .

E vamos lá, sabendo   que  não temos que abrir mão de nossas conquistas técnicas com o uso do ballet e outras modalidades que tanto acrescentaram beleza  a nossa dança, temos mais é que abrir nossas mentes buscando entender, respeitar as características fundamentais dessa arte e suas transformações no decorrer da história e se for preciso resgatar o que por ventura tenha se perdido no caminho.

E que tenhamos claro na nossa jornada que mesmo em meio a diversas adições, mutações e inovações jamais podemos esquecer  o foco da nossa dança, o VENTRE!  Não podemos esquecer nunca da combinação mágica e poderosa de QUADRIL E ABDOMEN, que faz essa dança ser o que é, então que voltemos a trabalha-los com mais amor.

Abraços e até o próximo post….

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7 comments

  1. Pat Figueiredo 30 março, 2017 at 20:43 Responder

    Texto ótimo e assunto tmb. Fui dessas que aguardei ansiosa e secretamente… não aprendi na aula… fui buscar na internet. Não achei video aulas que ensinasse a técnica em português. Tem algum pra indicar?

  2. Talís 16 setembro, 2016 at 17:49 Responder

    Muito bom o texto! Os movimentos com a barriga tem um nível de
    dificuldade maior mesmo, mas não devem ser deixados de lado, mesmo que
    ensinados/aprendidos depois de um tempo de dança…
    Adorei. Vou enviar o link para as minhas alunas <3 http://www.studiotalis.com

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