Aprenda a dançar

Como a Personalidade Influencia sua Dança

Salam bellylinda, você sabia  que  sua maneira de ser, suas vivências, suas qualidades e defeitos, ou seja, suas características próprias  influenciam diretamente na sua dança?

É a mais pura verdade!!! Dançar é de fato um processo de auto descobertas  que se dá em uma via de mão dupla onde a personalidade influencia na dança e a dança influencia no revelar e na  construção da personalidade.

Mas eu confesso a você que no começo eu tinha um pouco de dificuldade para entender como isso funcionava.

Até então, quando eu ouvia falar de auto conhecimento, identidade  e personalidade na dança do ventre a coisa toda sempre era direcionada para consciência corporal, para o entendimento da mobilidade do corpo, e eu não sabia relacionar isso de maneira mais abrangente.

Em outras palavras, eu prestava atenção somente para mudanças e superações físicas quase nunca para as emocionais, psicológicas ou comportamentais.

E como foi que que desvendei um pouquinho desse mistério? Vem comigo que eu te conto aqui nesse post.

A primeira vez que me matriculei em aula ula de Dança do Ventre foi no ano de 2011, e algo nas aulas não me satisfazia,  no fundo era como se não atendesse minha necessidade e eu nem sabia quais eram.

O fato é, que mesmo eu gostando das aulas eu não conseguia acompanhar as coreografias com motivação, parece que a coisa não combinava comigo.

Até que certo dia ao participar de um workshop  da dançarina Mahaila El Helwa, ela me disse que eu tinha uma nível de energia muito alto, e minha velocidade era diferente de todas naquela sala.

A moça em poucos momentos observando  meu comportamento fez um diagnóstico certeiro da minha dança, até me chamou carinhosamente de pancadão.

Em seguida ela sugeriu  que eu refletisse sobre minha ansiedade e níveis de energia e tentasse perceber como isso estava afetando minha maneira de sentir o corpo e dar vasão aos movimentos.

Então fui para casa pensando nisso, e no dia seguinte comecei não só a perguntar dos meus colegas sobre minhas características, mas  também passei a me autoavaliar. E veja só o que descobri.

 

 Eu sou uma explosão de Ansiedade 

rerttt

O povo sempre me chamava de maluquinha, e hoje  sei o motivo. Sou uma pessoa intensa, dinâmica, de gestos amplos, falo  muito rápido e bem mais do que ouço, além disso faço várias coisas ao mesmo tempo e muitas vezes não as termino. Inclusive tem uns 200 posts que ainda não terminei aqui no blog (rs, rs, rs)

E mais, sou extremamente vigorosa e agitada e tenho dificuldade de concentração( leitores aqui que me conhecem pessoalmente sabem que é verdade). Muita gente me disse que sou agressiva  e a docilidade ou delicadeza são coisas raras em mim.

Juro   que custei muito a admitir e reconhecer essas características (orgulho maldito), eu não me via dessa forma, mas quando mais de quatro pessoas dizem a mesma coisa a seu respeito, é melhor investigar e no fundo  até minha dança provava isso( rsrssr).

Como essas  características pessoais influenciaram minha dança?

Quando eu  dançava parecia uma mistura de The Flash com Ronda Rousey, as características de minha personalidade  vinham a tona de forma bastante evidente nas performances. De maneira nenhuma eu  acalmava a alma para me conectar com a arte.

Sem contar que isto também afetava minha leitura musical já que meus movimentos queriam falar mais do que a melodia, e sendo assim não existia um diálogo proveitoso e sim uma guerra  onde quem assistia presenciava uma briga  entre mim e os ritmos, já que eu nem se quer parava para sentir, que dirá ouvir.

Se eu conhecesse a música era ainda pior, pois já sabia o que ela diria  e então eu disparava devido meu excesso de agilidade e energia. Na hora de dançar em grupo eu sempre me adiantava perdendo a sincronia com as demais, quando o povo tava fazendo um movimento eu já tinha feito três.

Não é a toa que eu tinha sérias dificuldades com movimentos lentos e estilos que exigiam maior concentração e sensibilidade na consciência corporal. Dançar musicas muito melódicas? Nem pensar!

Qualquer coisa devagar eu considerava monótona já que  o excesso de vigor e alto astral dominavam minha alma ansiosa.

Logo, em meu mundo belly dance a coisa para funcionar   tinha que ter força e uma boa dose de exagero, deve ser por isso  que amo  movimentos impactantes e explosões na música (ahahhaaa!!!).

Como a dança teve influência na minha personalidade?

Sabendo o que estava detonando meu desenvolvimento   fui em busca de aprimorar meus estudos, e nessa busca li em algum lugar uma frase da Ju Marconato que dizia assim: EXERCITE SUA CALMA INTERIOR! E assim fiz, saindo do que era confortável para mim, PASSEI A ESTUDAR O QUE EU NÃO ERA NA DANÇA.

E mesmo sem perceber a arte passou a ser um instrumento de equilíbrio dos traços da minha personalidade que me  atrapalhavam, tanto nos palcos como na vida pessoal.

Assim, passei a estudar o que me exigia concentração, pausa,  e espera. Uma grande aliada nisso foi a dança com espada, e também passei a ouvir músicas lentas tentando deixar a melodia conversar com meus movimentos, e adivinhem só, descobri que havia esse outro lado dentro de mim, o da calmaria e que eu  por desconhecer tal fato, não permitia fluir, eu vivia em total desequilíbrio sendo um tempestade tormentosa o tempo inteiro.

O que mudou na minha personalidade?

Tomar essa atitude teve seus reflexos positivos na  minha vida pessoal ,pois, passei a ser uma pessoa mais tranquila, não  que eu tenha anulado o meu  lado vigoroso ou deixado de ser eu mesmo, apenas equilibrei minhas energias.

Minha característica mais forte na dança ainda é o vigor e a velocidade, mas aos poucos fui  aprendendo a usar isso a meu favor e nos momentos certos.O que faltava para mim era aflorar meu lado calmo e assertivo e assim estou a cada dia  conseguindo ser mais feliz  tanto na qualidade de vida quanto de dança.

Deixo aqui um video (Clique aqui pra Ver) da época em que dei inicio as minhas descobertas, (sou doida para excluir esse video mas perdi a senha do canal,) o lado bom é que serve de exemplo do que não fazer! Observe como eu corria, preste atenção na velocidade e exagero dos giros e deslocamentos, sem contar os joelhos roxos porque eu batia o pandeiro com muita força  neles e na hora eu nem sentia, tamanha era minha ansiedade.

Mas e quando a situação é o oposto

Conheço bailarinas que são o total oposto de mim, são super contidas e introvertidas, trabalhadas na delicadeza e romantismo e tem problemas com musicas, ritmos ou coreografias que peçam um teor mais dinâmico e vigoroso, daí fica a dica:

Dance treinando também aquilo que você não é, saia da zona de conforto para saber quem você é realmente. Busque o equilíbrio da intensidade de sua personalidade e nunca deixe de investigar novas possibilidades. Continue aprimorando o que você faz de melhor, mas sem deixar de exercitar seu oposto, assim cresce sua potencialidade  humana, artística e expressiva .

E para finalizar…

Bom, eu vou ficando por aqui, espero que você tenha compreendido pelo menos uma pouquinho de  como a pratica da dança pode ser aliada poderosa para o autoconhecimento sendo capaz  não só de revelar mas também moldar nossas personalidade, ampliando a percepção não só do corpo mas da nossa mais complexa subjetividade em uma jornada extraordinária onde passamos a notar nossas características com se tivéssemos uma lente de aumento fenomenal mirando para dentro de nós.

É minha querida amiga bellylinda, dançar é verdadeiramente  um exercício primoroso não só para o palco, mas para a vida e o simples ato de praticar uma arte pode fazer maravilhas por nós permitindo  que traços da nossa personalidade aflorem com mais segurança, e o mais importante, a nosso favor.

Aproveito para gradecer também a Mahaila que teve um olhar criterioso para mim. A fala dela foi um divisor de águas na minha dança, foi o que me fez entender como a dança de fato nos oferece inúmeras formas de chegarmos ao autoconhecimento.

 E você, muito obrigada pela companhia…bellyabraços e até a próxima belly aventura!

1 comment

  1. Fabiane Vitorino 26 julho, 2017 at 16:12 Responder

    Muito interessante o artigo, me sinto extremamente ansiosa tb. Mas a propósito, achei lindaaaaaa sua apresentação com pandeiro!rs

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