Danças Árabes

Folclore Árabe em Manaus

 

Salam habibes e habibas hoje faremos um breve  passeio histórico pela cidade do Folclore Árabe no Brasil, Manaus para que  você conheça um pouco mais sobre a origem e trajetória dos grupos que fazem sucesso em danças árabes no norte do país.

Estabelecer os Folclore Árabe em Manaus foi um árduo trabalho principalmente em sua fase inicial mais especificamente na década de 80, período em que  a acessibilidade a internet era bastante escassa.

Dessa forma as músicas e coreografias eram estudadas e selecionadas por meio das famosas fitas cassetes, que na época eram raridades. Muitos destes materiais eram cedidos por migrantes do médio oriente residentes em Manaus.

A primeira pesquisa objetivando fundamentar e embasar culturalmente a dança para se criar grupos de apresentação foi feita pelo professor José Gomes Nogueira que além  da dificuldade em encontrar informações encontrou  também outro  agravante: um bloqueio por  parte dos alunos em compreender a dinâmica de movimentos que envolve o Folclore Árabe, mais especificamente a dança Dabke.

Tais circunstancias  se davam pelo fato de a Dança Árabe possuir suas características próprias no que tange a musicalidade, movimentos e ritmos  que por sua vez eram bem  complexos já que se distinguiam totalmente  da cultura local.

Mas  houve um aluno  que se destacou,  Raimundo Nonato Medeiros, conhecido como “Natinho” ele foi um dos monitores do professor  José Nogueira, ficando responsável por aprender  as coreografias e elaborar os processos didáticos por meio dos vídeos em cassete. Tal dedicação fez dele um autodidata, que futuramente muito iria contribuir para o avanço do aprendizado da dança árabe em Manaus.

No ano de 1984, Natinho começou a recrutar alunos para o projeto DANÇA ARABE PALESTINA conseguindo formar um grupo com 9 casais, mas a dificuldade em ensinar e aprender este estilo de dança prevalecia.

Logo, intensificaram-se os treinos objetivando o aprimoramento.

Os estudos aconteciam no pátio de uma escola pública no bairro de São Raimundo chamada de Colégio Pedro Silvestre.  A aulas de dança ocorriam  em diversos horários muitas vezes se estendendo até a madrugada.

Essa maratona de intenso estudo e treinos foi gratificada com o primeiro título em 1984 no Festival Folclórico Marquesiano.

O grupo encantou a todos por meio da beleza e do exotismo da dança árabe, motivando  o surgimento de  outros grupos e  dando início   a propagação dessa arte em Manaus. Hoje o  que se tem é um exército de paz propagador da Dança Árabe,  altamente instruído e sincronizado tendo nos pés  uma marcha apaixonante que se chama Dabke.

Fatos Curiosos

foclore arabe

O fato é que devido a grande quantidade de grupos seria uma missão bem complicada listar todos, mas é importante ressaltar que muitos destes existem até hoje com mais de 30 anos nos palcos, além disso, vários outros são lançados ano após ano, assim esta arte tem se perpetuado na cidade de Manaus e até mesmo para regiões interioranas, seja com o mais lindo folclore tradicional, seja com o folclore estilizado.

Quanto custavam as aulas?

Uma particularidade interessante é que estes grupos foram criados totalmente sem fins lucrativos, sendo possível a realização dos trabalhos por meio de patrocinadores (quando conseguiam) ou financiados pelos próprios dançarinos envolvidos que realizavam passeios, feijoadas e a mais diversas atividades com intuito de arrecadar recursos para aquisição dos materiais e profissionais necessários.

Ainda hoje tal como era na década de 80, tais práticas continuam, os grupos seguem sem fins lucrativos e tal como no passado os dançarinos bordam seus próprios figurinos que são comumente idealizadas e padronizadas pelos estilistas do grupo, sendo assim, é comum reuniões para este fim   onde existe a ajuda mútua na confecção dos figurinos em um verdadeiro trabalho de equipe.

Além dos custos com figurinos grupos costumam investir em cenários e estruturas desmontáveis para valorizar a apresentação nos palcos.

Os figurinos variavam entre tradicional e estilizado dependendo da proposta coreográfica, muitos foram inspirados em videos de shows e apresentações de danças do médio oriente da década de 70 e 80, clicando AQUI você assiste um deles. Uma característica marcante nos figurinos femininos eram as tiaras e acessórios de cabelos extravagantes além das volumosas calças alladin.

Onde ocorriam as aulas ou ensaios?

Esqueças as salas climatizadas com grandes espelhos e totalmente estruturada para a dança, os grupos pioneiros ensaiavam em espaços disponibilizados pelas escolas da rede pública , quando não conseguiam autorização para tal , os ensaios e aulas aconteciam nas ruas, fizesse chuva ou sol. Na atualidade não se fazem muitos ensaios nas ruas, alguns grupos inclusive possuem espaços próprios, ainda assim, quadras de escolas públicas são ainda bastante utilizadas. Clicando aqui você assiste um desses ensaios.

Como se organizavam?

Não pense que o trabalho era desorganizado, muito pelo contrário, existiam esquemas organizacionais onde os membros dos grupos tinham funções determinadas como por exemplo: coordenadores, coreógrafos, figurinista e etc.

Além disto as lideranças dos grupos costumavam ser bastante exigentes tanto no quesito técnico com vistas a sincronia coreográfica, quanto no que tange ao comprometimento e assiduidades dos dançarinos. Essa base de organização é seguida ainda nos dias atuais.

A organização dentro destes grupos é tanta que muitos diretores de grupos são convidados a coordenar e coreografar alas e comissões de frente nas escolas de samba de Manaus. Por hoje é só, lembrando que a história é longa e tentamos resumir ao máximo. Abaixo você confere alguns videos de grupos pioneiros.



Texto de Aziza Zayn

Colaboração de: Hassan Zayn– Bailarino e Coreógrafo

   Moandro Vieira– Bailarino e Coreógrafo

Agradecimento pelas fotos cedidas: Milton Filho -Coordenador e Coreógrafo

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