Aprenda a dançar

Você se ofende quando sua professora lhe corrige?

 

Imagine que você está em um workshop lotado,  achando que está abafando na sequência ensinada, algumas pessoas até param para te olhar,  quando de repente, a ministrante para a aula, foca em você e diz na frente de todo mundo:

VOCÊ ESTÁ FAZENDO ISSO ERRADO, não é assim, seus joelhos devem estar semi flexionados, sua coluna ereta. Fazendo desse jeito você vai parecer uma mulher corcunda no palco. Preste mais atenção na postura e tente de novo.

Diante desse quadro,como será que você se sentiria? ficaria triste? Será que entenderia a correção como fator desmotivador do seu esforço? Você se sentiria ofendida, irritada, perseguida por ser corrigida na frente dos colegas belly dance?

Foi assim que a Margarida (nome fictício) se sentiu. Querendo conversar com alguém me mandou um inbox no face  contando o fato em tom de desabafo,  dizendo que nunca mais queria ter aulas com aquela mulher. Em seguida me perguntou: você também não se sentiria indignada?

Eu respondi: Eu te entendo Margarida, se fosse em outros tempos me sentiria como você, mas hoje não, porque já sou acostumada com correções, na verdade eu me sentiria agradecida. Aprendi que é mil vezes melhor ser corrigida não importa a forma, do que ser iludida quanto ao meu próprio desempenho.

Então ela continuou, mas na frente das outras pessoas, sendo um exemplo de erro? Você não acha que ela deveria ter me chamado em particular no fim do workshop?

Eu delicadamente respondi: Acredito que você é uma bellylinda muito sensível para negativas no seu processo de aprendizado e isso pode ser prejudicial já que  lidamos com os mais diferentes tipos de metodologias corretivas principalmente em workshops.

E tem mais querida Margarida, pelo que percebi esse workshop era grupal e não particular, certamente você estava cometendo um erro grave que podia lhe prejudicar fisicamente e ela na obrigação de mestre lhe corrigiu a sua maneira.

Então, procure não se abater com isso, correção faz parte do aprender e não é para ser encarado como algo traumatizante. Veja esse episódio pelo lado positivo. Quer ver como essa correção foi boa? Aposto que  nunca mais você vai errar nesse movimento novamente.

Então, Margarida ainda meio decepcionada, pois, não achou em mim uma cúmplice para sua mágoa se despediu e me removeu da sua lista de amigos no face.

Esse episódio me fez pensar: Será que no universo do aprendizado belly dance estamos ficando muito sensíveis as correções?

Eu acredito que sim, tem gente que anda levando  o aprender a dançar do ventre de uma forma equivocada principalmente no que tange a elevação da auto estima.

Parece que a correção na sala de aula é quase um pecado porque pode abalar a auto estima e a auto confiança da aluna. Eu penso que a pessoa que se ofende com correção tem a auto estima refém da elevação do ego e do julgamento alheio e não há nada de benéfico nisso.

Por essas e outras considero muito importante refletirmos de forma honesta sobre essas questões, pois tenho identificado uma situação paradoxal onde existe a consciência de que a correção gera uma aprendizado eficiente mas movidos per ego, orgulho e vaidade preferimos evitar.

Então, se  você é aluna de dança do ventre, fique atenta e reflita como anda seu nível  de orgulho e vaidade em sala de aula.

Se em  algum momento a correção doer, pode ser que seu ego esteja dominando sua vontade de aprender verdadeiramente, deixando você mais sensível para as negativas que todos nós precisamos levar dos nossos mestres.

A essa altura você também deve estar pensando: Ah mas isso depende de como o professor corrige.

Mas, eu posso dizer a você que quando você tem o objetivo profundo e verdadeiro de aprender as coisas vão depender mesmo é de você e de como você lida com seu aprendizado.

E mais , se seu orgulho e vaidade estiverem em desequilíbrio toda correção vai doer não importa se é branda, áspera, em publico ou particular.

Gente ofendida com correção, eu vejo e não é de hoje, e uma coisa eu sei,  quem deseja aprender de verdade deve deixar sempre o ego do lado de fora da sala de aula, e aceitar  a correção da  professora em quem depositou confiança.

E se você quase nunca é corrigida, cuidado, pois é  improvável que você seja perfeita, sendo assim, pode ser que esteja embarcando em uma cilada achando que está se desenvolvendo quando na verdade pode ser o contrário.

Agora, quanto ao perfil do professor eu vou esboçar  três aqui para elucidar o caso, vamos lá.

Correção bruta-  Geralmente professoras de correção bruta, são extremamente exigentes, tem um olhar apurado para cada técnica e não deixam um deslize se quer passar em branco. No calor da coisa podem inclusive xingar você, sua família e sua terceira e quarta geração e partir para a humilhação testando  não só sua resistência física como sua resiliência emocional.

Correção Amena- Professores que corrigem sempre, mas tendo cuidado em não ser ofensivos  ou desrespeitosos. São mais delicados no trato mas sem deixar de lado sua postura de liderança.

Correção insegura- Evitam corrigir e quando fazem é com receio, tem medo de  que o aluno se sinta ofendido. Espera que com seu exemplo o aluno por si só perceba onde está errando.  Esse tipo deixa as coisas irem acontecendo, ele entende que precisa corrigir, mas o medo de ferir, levar patadas ou perder o aluno é mais forte

Bom eu já tive esses três tipos de professores e digo acertadamente para você que prefiro as de correção bruta.

Inclusive, meu primeiro professor de danças árabes  era um brutão extremo, o cara era  perverso do tipo que na aula de tahtibe arremessava o bastão nas nossas canelas porque com ele tinha que ser perfeito e ele exigia concentração total, sem moleza ou distrações na hora dos treinos.

Assim, eu tomava todo cuidado do mundo para não errar a sequência, prestava atenção com toda minha alma nas explicações, treinava como louca em casa  porque eu sabia que se não mandasse bem ele me lançaria no mármore do inferno, me jogaria no vento, me baniria do grupo e varias vezes isso quase aconteceu.

Confesso que algumas vezes eu fiquei como a Margarida morrendo de raiva dele, porque o moldar dele além de doído era na frente de todo mundo. Uma vez fui reclamar porque ele me corrigia na frente dos meus colegas de dança e eu me sentia humilhada. Sabe o que ele me disse? Disse que:

 “humilhação não é ser corrigida na frente dos colegas de dança, humilhação é apresentar um trabalho ruim para o publico, é treinar horas da sua vida e no fim do espetáculo tão esperado não ter do que se orgulhar. 

Humilhação é passar anos na sala de aula e sentir que não aprendeu, não se desenvolveu como deveria por falta de correção, e isso eu não permito, gostando você do modo ou não”

E tem mais, ele agia assim com todos nós, eramos umas 20 pessoas  e todos nós aguentávamos  com coração aberto as mais pesadas correções, chegou um tempo que nem atingia mais, a gente  só baixava a cabeça e tentava de novo.

E como valeu  a pena,  eu sentia e via em cada apresentação como eu tinha melhorado, meu coração se enchia de gratidão e no fim das apresentações ele vinha todo orgulhoso nos parabenizar pelo maravilhoso trabalho que fazíamos juntos, e cá entre nós, os grupos os quais ele era professor eram uns dos mais respeitados da cidade.

E  isso foi lá em 1997, e até hoje lembro muito do que ele me ensinou, inclusive as coreografias que estão aqui na minha mente, e muito do que carrego nas minhas metodologias de estudos pessoais no sentido de exigência são reflexo do seu moldar.

Então, minha amiga bellylinda o que eu sugiro a você é AME A CORREÇÃO não importa se ela é bruta  ou amena do tipo terapêutica repleta de cuidados com a sensibilidade feminina, apenas  se curve para a humildade e aprenda a aceitar sua condição de aluna.

Agora se você tem uma professora de correção insegura, a coisa complica um pouco, talvez  você precise deixar claro que está aberta as correções. Diga a ela que ela pode apontar suas falhas ,que você não vai se magoar, que está pronta para ouvir o que há de negativo em você e que quando cometer um erro  por favor lhe corrija que você  não vai se chatear.

 

ATENÇAO—> leia o restante do artigo Para não esquecer

Sobre ser corrigida na frente dos colegas

Quando a gente faz aula de dança do ventre nos tornamos membros de uma turma onde todos estão aprendendo em um ambiente onde o erro de um pode servir de exemplo para os outros, assim como os acertos, portanto, correções na frente dos colegas fazem naturalmente parte do processo.

A sala de aula é lugar para aprender, errar ,corrigir e acertar. Orgulho e vaidade devem ficar de fora

A sala de aula é feita para a gente aprender como se faz algo, e nessas tentativas de fazer vamos errar bastante e devemos ser corrigidas  quantas vezes forem necessárias até alcançar o aperfeiçoamento , então, nada de ego inflado.

Ser corrigido não é ser inferiorizado é ser  amado

Quando desejamos aprender  precisamos abrir o coração para o aprendizado,para isso, temos que reconhecer que dentro de nós  existe um ego que precisa ser bem direcionado.

Precisamos compreender que para aprender é necessário principalmente adquirir humildade suficiente para não se sentir inferior pelo fato de estar sendo ensinado e por vezes corrigido.

A verdade é que quando estamos sendo corrigidos,  estamos sendo lapidados por nossos mestres, estamos sendo moldados para o melhor, estamos nos tornando poderosos.

É minha amiga a correção  nos dá o poder de manter a humildade ativa, nos permite recomeçar melhor, mudar de ideia, aprimorar nossas habilidades e nos desenvolver de modo infinitamente mais propicio ao sucesso.

Então, minha bellylinda vamos amar a correção!

 

Vou ficando por aqui, bellybeijos e até a próxima bellyaventura!